terça-feira, 24 de maio de 2016

Solta o remédio aí!!!

Alguns dias atrás aconteceu algo bem engraçado! Não deveria ser engraçado, pois falta de informação não é algo legal, porém o ocorrido foi cômico e apesar de eu ter ficado indignada ainda dei risada no final...

Chegou uma criança (provavelmente o menino devia ter uns 12 anos) com uma receita de antibiótico em mãos, dizendo que precisava do medicamento pro irmão dele que havia extraído dois dentes e estava com muita dor.
Avaliando a prescrição percebi que não estava preenchida e perguntei se ele havia trazido o documento de identidade do irmão dele para que eu pudesse preencher o campo de informações do comprador. A Anvisa não exige que seja anotado o numero de RG do comprador, porém adotamos essa prática e fazemos o preenchimento como se fosse a venda de um medicamento psicotrópico.

Eu disse ao menino que voltasse pra casa e pedisse ao irmão dele que preenchesse aqueles dados. Ele voltou, mas com a segunda via não preenchida, havia esquecido a primeira via que fora preenchida em casa. Eu solicitei que ele voltasse pra buscar a via preenchida, um pouco contrariado ele o fez.

Eis que o garotinho volta, com isso em mãos:




Percebam que ele preencheu com o nome, endereço e telefone porém não colocou o RG, somente enviou o documento, e o atendente que trabalha comigo preencheu para o menino. Quando eu volto a reavaliar a prescrição, vejo que a data foi preenchida pelo próprio paciente, ou seja, com caneta de cor preta e caligrafia diferente do dentista... Ou seja, pra resumir a maior 'zona' na prescrição...

Avisei o menino que aquela receita não poderia ser aceita, e ele sem entender muito disse que o irmão dele estava bravo e com dor. Quando eu por acaso viro a receita para ver se meu colega de trabalho já tinha carimbado a receita, vejo algo mais:


Que tal essa? "Sólta o Remedio Ai..."
Eu falei, "ah não, assim não vai dar!". Bom, o que fiz? Liguei pro irmão dele e expliquei os motivos de não poder aceitar aquela receita, pela data, pela rasura... Pra resumir ele ficou um pouco bravo, não deve ter entendido as razões e acabei dispensando somente o anti-inflamatório pra aliviar um pouco a dor, e orientei que ele trocasse a prescrição e que não rasurasse o verso, porque prescrições médicas são documentos!

Bem, achei que tivesse acabado aí, mas não. O irmão dele voltou um pouco mais tarde com a segunda via preenchida, porém (mesmo permitido pela Anvisa a dispensação com a segunda via) eu não pude aceitar pois não havia carimbo do dentista...

Enfim... no final foi até engraçado, "Solta o remedio ai" hahaha

Mas minha função aqui não é "Soltar Remedios", minha função é dispensar medicamentos orientando quando ao uso racional e outros aspectos!

Até mais!!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Saúde tem preço?

Tudo tem um preço! Foi o que disse uma professora minha em uma certa situação que não vem ao caso agora... E isso fazia sentido até o presente momento. Eu vinha acreditando que realmente tudo tinha um preço, mas me dei conta de que a saúde (ou sua recuperação) não tem um preço. Ai você vai me dizer, oras, se eu pegar uma infecção eu posso pagar um valor X em uma consulta médica, talvez alguns exames, e mais alguns Xs para a compra de medicamentos e então ter a saúde recuperada. Ok, poderíamos então dizer que a saúde tem um preço sim... Só que não! Imagina se o seu corpo não respondesse à medicação indicada? E se não reagisse a nenhuma outra também? E quando uma doença não tem cura, só controle dos sintomas? Não há dinheiro algum no mundo que compre sua saúde de volta - em alguns casos.

"Filosofei" um pouco, mas isso foi só pra pensarmos um pouco mesmo. O que eu quero contar no post de hoje é sobre uma aplicação que realizei alguns dias atrás.

Chegou essa paciente com um medicamento injetável, era uma medicação daquelas que a seringa já vem preenchida, e fui ver do que se tratava antes de aplicar, pois não era algo do dia-a-dia. Era
Humira (adalimumabe). Quem já aplicou sabe o medo que dá! Não é por questões de desconforto do paciente, ou por algo dar errado na aplicação, e sim pelo preço que custa essa preparação de anticorpos monoclonais. R$12,000. Sim, foi isso mesmo, não errei a virgula e nem a quantidade de zeros não. Doze mil reais, é o preço aproximado do produto. Quase não acreditei quando consultei o preço, mas era isso mesmo. A injeção é para amenizar - no caso dessa paciente - os sintomas da artrite reumatoide. Tive uma conversa com ela sobre isso, ela nem sabia o custo, me contou que o governo fornece a cada 14 dias uma dose, as quais ela fielmente vem pra que sejam aplicadas aqui na farmácia.

Meu medo? Derrubar essa seringa e perder a aplicação. 12 mil reais sob minha responsabilidade, dá uma tensão muito grande...

Mas enfim, é isso, só queria compartilhar o fato... :D

Até a próxima!


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Confusão com as palavras...

Hoje eu estava aqui pensando, será que não deveria mudar o nome do blog para ''Estórias de farmácia" ? Comentei com minha colega de trabalho e ela afirmou não conhecer essa palavra. Realmente não é muito usada mesmo nos dias atuais, e inclusive pesquisei para ver se ela realmente tem o significado que eu imagino, que seria algo similar a 'causos', 'contos ficticios', e é na verdade isso mesmo, apesar de que encontrei contradições. Mas enfim, ainda pensarei nisso...

Porém o titulo desse post não se refere à minha duvida sobre as duas palavras já citadas, e sim a confusão que algumas pessoas fazem com o nome dos medicamentos! É muito engraçado quando alguém chega pedindo alguma coisa e falando o nome de uma forma completamente estranha, claro que na hora eu só tento entender e ter certeza do que a pessoa quer, sem fazer nenhum tipo de distinção, até porque ninguém é obrigado e saber pronunciar 'cloridrato de propranolol' de forma clara, ainda mais se nunca usou o medicamento antes.

Mas é na verdade bem cômico quando os nomes são confundidos, vou citar alguns que lembro que já falaram aqui:

- Neosvaldina (Neosaldina)
- Neodrin (Perguntei se a pessoa queria o Neosoro ou o Naridrin)
- Vanda (Valda, a pastilha - pediram para a moça do caixa)
- Norvagina (Novalgina)
- Dicrufinaco (Diclofenaco)
- Cismegripe (Cimegripe)
- Paracetenol (Paracetamol)
- Rexodon (Redoxon)
- Ibufreno (Ibuprofeno)
- Hidrotiazida, Clorotiazida (Hidroclorotiazida)

Algumas confusões não são tão engraçadas, mas dependendo da situação elas ficam hilárias, rs..

Por hoje é só, assim que novas paralavras surgirem eu as reúno e posto aqui :D

terça-feira, 26 de abril de 2016

Apresentação

Olá!

Sou uma farmacêutica recém formada e trabalho em uma farmácia de dispensação. Devido a isso acabo presenciando muitas situações curiosas, as quais gostaria de guardar e compartilhar aqui...
Em quase 3 meses neste trabalho, já me aconteceram varias coisas aqui no balcão, entre elas coisas boas e coisas ruins. Eventualmente lembrarei de alguns casos passados e escreverei aqui, mas possivelmente os casos subsequentes serão os que ainda vão acontecer!

De antemão já digo algo: amo minha profissão, realmente gosto do que faço e amo ser uma farmacêutica!